Nossa landing page do livro J. Cunha & O Carnaval Negro já está no ar
Lançada durante a abertura da VI Edição do Festival Paisagem, dezembro de 2024, e com tiragem de mil exemplares já esgotada, a publicação J. Cunha e o Carnaval Negro (Selo Anjo Negro, EDUFRB, 224 pgs) ganhou um versão digital como arquivo .PDF e pode agora ser baixada gratuitamente aqui no site.
O livro é a face visível de uma pesquisa que demorou um ano, desde os primeiros encontros com Cunha no final de 2023, até a lançamento do livro em 2024. Durante este tempo, a equipe do projeto executou um longo trabalho de coleta e recuperação da iconografia das estampas e demais elementos gráficos de vinte e seis Carnavais do Bloco Ilê Aiyê, entre 1980 e 2005. Catalogando e recuperando ilustrações, tecidos e fotografias históricas que contam as duas décadas e meia da contribuição de J. Cunha para a reafricanização do Carnaval de Salvador.
Feliz com o desdobramento da publicação, J. Cunha comenta que “tudo o que fiz, fiz com muita paciência, observação e, principalmente, com muita responsabilidade com a questão Panafricana”, acrescentando que “uma das minhas intenções com a construção dessa iconografia foi resgatar os sentidos dessas imagens, para falar de nós através delas, porque fala-se muito da Europa e pouco da África”.
PESQUISA
Embora tenha foco no trabalho do designer gráfico, a pesquisa contextualiza esse trabalho apresentando a multiplicidade expressiva de Cunha, que é também pintor, gravurista, bailarino, cenógrafo, figurinista e um dos criadores fundamentais para se entender a história do design gráfico afro-brasileiro no Século XX. Além da versão digital da publicação, a landing page também apresenta alguns dos tecidos com estampas do designer, textos críticos e históricos sobre o artista e algumas imagens inéditas da pesquisa, que não estão no livro.
Sobre o fato de a publicação ter sido uma das finalista do Jabuti Acadêmico este ano, o editor-curador do trabalho, o pesquisador Danillo Barata, considera que “é o reconhecimento para um artista brasileiro incontornável. Responsável por uma grande contribuição para o movimento de reafricanização do Carnaval Baiano ainda no final dos anos de 1970. Então a indicação coroa um trabalho longo e coerente”, afirma.
Danillo é responsável pelo texto de apresentação do livro, que narra e reflete sobre a trajetória artística de Cunha e sua inserção na história da arte e do design brasileiros. Ele também redigiu os textos dedicados a cada um dos tecidos criados, explicando o sentido de cada composição e detalhando os significados de seu ícones mais importantes, a partir de informações recolhidas ao longo de diversos encontros com Cunha durante os meses da pesquisa.
Um esforço de investigação, catalogação e interpretação do acervo à luz das artes visuais e do design gráfico, que resultou num dossiê crítico e histórico, essencial para a compreensão da visualidade afro-baiana no final do Século XX.
O resgate imagético ocupa boa parte da publicação. Sempre articulando a imagem geral da estampa com seu significado, a partir das intenções e escolhas estéticas do designer. “O projeto foi pensado de maneira que a parte gráfica, a visualidade, estivesse articulada e fosse tão importante quanto o texto que a explica”, revela a designer Iansã Negrão, da Casa Grida, responsável pela concepção e execução do projeto gráfico do livro e pela construção da landing page onde a versão digital está hospedada.
A Casa Grida também transformou em imagem editável (vetor) ícones e símbolos presentes em cada nas estampas, recuperando muitas das imagens originais que estavam comprometidas pelo tempo. Esse material, organizado e catalogado, funciona agora como uma nova matriz de impressão para cada uma das estampas. “A pesquisa recuperou e organizou essa fonte de informação visual que agora pode ser consultada, mimetizada. Pode servir de inspiração para que tenhamos um design mais negro, mais brasileiro,” acredita Iansã.
RESGATE
Além de dezenas de fotos históricas de J. Cunha e dos Carnavais do Ilê, o livro conta ainda com dois ensaios fotográficos inéditos, feitos por Mayara Ferrão e Mário Roberto, com direção criativa de João Gravador e Mirella Ferreira. Também possui um anexo em brochura, com textos históricos e críticos de Arany Santana, Maria de Lourdes Cerqueira, Rita Maia e Valéria Lima, sobre o Ilê Aiyê e a articulação de seus Carnavais com o projeto político-pedagógico do Bloco.
O Festival Paisagem Sonora, responsável pela pesquisa e publicação do livro, é promovido pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia @ufrb_edu, através de sua Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEXC-UFRB) com o projeto de ações formativas Organizações da Resistência – Música e Educação. O projeto é financiado pelo Governo Federal, através da Fundação Palmares do Ministério da Cultura e da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação
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