O Bembé do Mercado é a nossa liberdade posta em praça pública
Manifestação cultural e religiosa centenária na cidade de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, o Bembé do Mercado é patrimônio histórico imaterial do Brasil.
Para os terreiros do Recôncavo, o Bembé do Mercado é um encontro sagrado e ancestral desde 1889, após um ano da abolição da escravidão no Brasil. É o momento em que nos reunimos para saudar a ancestralidade, agradecer aos orixás e reafirmar o protagonismo histórico de João de Obá, homem negro e babalorixá, escolhido pelos orixás para articular os terreiros e celebrar o fim da escravidão. Essa atitude, há 136 anos, já demonstrava o ímpeto de coragem, ousadia e profunda consciência política e afirmativa do povo negro do Recôncavo da Bahia.
O reconhecimento do Bembé do Mercado como Patrimônio Histórico Imaterial é fundamental para as lutas políticas do povo de santo porque, antes de ser celebração, o Bembé é testemunho vivo da nossa sobrevivência. Quando o Bembé do Mercado foi reconhecido primeiro como patrimônio de Santo Amaro, depois da Bahia e, por fim, do Brasil, não foi apenas a celebração que ganhou um título. Foi o povo de santo que conquistou um direito histórico.
Celebrando o Bembé do Mercado, convidamos vocês a conhecer o Dossiê de Registro “Bembé do Mercado”. Esse documento foi originalmente elaborado com o propósito de subsidiar o pedido de registro do Bembé como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, no âmbito do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).
O processo culminou em sua aprovação por unanimidade no Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, em 13 de junho de 2019.
O texto é assinado Thaís Salves De Brito, Francesca Bassi Arcand, Jorge Luiz de Vasconcelos e Danillo Barata, com fotos de Zeza Maria e integra o catálogo do selo Anjo Negro. Esta publicação foi viabilizada com o apoio financeiro da SECADI-MEC / Fundação Cultural Palmares / IPHAN.