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OLODUM LANÇA PROJETO DE AÇÕES FORMATIVAS EM PARCERIA COM A PROEXC-UFRB E A SECADI-MEC

Na manhã da sexta-feira 23/05, uma apresentação percussiva de crianças e jovens da Escola Olodum espalhava pelo Pelourinho, em Salvador, o ritmo inconfundível do samba-reggae que faz a fama internacional do Bloco Olodum. O espetáculo em frente à Casa do Olodum marcou o lançamento do Projeto Manifesto Revoltas Negras e a Educação Interétnica Olodum, que a partir deste sábado, 24/05, promove oficinas de dança, de percussão e de confecção de máscaras africanas para 100 jovens, com idades entre seis e 29 anos, vindos de comunidades periféricas de Salvador. Essa série de oficinas é uma das três ações de educação e formação que integram o projeto.

 

Uma outra ação é o Curso Revoltas Negras, para a formação de professores do ensino básico. Com 60 horas de duração, ele está dividido em oito módulos temáticos que abordam fatos históricos da resistência negra no Brasil, como o Quilombo dos Palmares, a Revolta dos Malês, a Revolta da Chibata, a Conjuração Baiana e a participação afrodescendente na Independência da Bahia (02 de Julho).

 

A terceira ação é a reedição de quatro volumes da Coleção Olodum Griô, além da edição de uma nova cartilha, sobre a participação negra na luta pela independência da Bahia. Um rico material pedagógico que conta a luta afrodescendente. Os títulos  que serão reeditados são: Revolta dos Búzios, Revolta dos Malês, Revolta da Chibata e Zumbi dos Palmares.

 

Durante o lançamento, a Diretora Geral da Escola Olodum, Linda Rosa Rodrigues, destacou a importância de “ usar nossa ancestralidade como ferramenta de transformação, unindo educação e cultura. Então, na matriz do curso, vamos articular teoria e prática com a nossa história, para promover esta conexão com a África”, explicou Linda. Já Mara Felipe, pesquisadora e conselheira pedagógica da Escola Olodum, deu a dimensão da amplitude do projeto de Educação Interétnica, articulando-o com a tradição pedagógica da Escola. “Estamos sempre lembrando e recontando como nós negros também participamos ativamente no desenvolvimento e na consolidação da sociedade brasileira”, lembrou Mara.

 

A propósito desta relação entre história, conhecimento e sociedade, a curadora do Festival Paisagem sonora e representante da Proexc/UFRB no evento, professora Tatiana Lima comentou em sua fala  sobre a importância do diálogo entre campos do saber afirmando que “A  universidade aprende com o Olodum. Com esses 46 anos de cultura articulada com política” afirmou.

 

Tatiana aproveitou para apresentar as quatro principais dimensões do Projeto Paisagem Sonora. São elas, a Formação, que prevê a realização de cursos, oficinas e  outras ações educativas para implementar a Lei 10.639/03 e promover a formação antirracista de professores e alunos. A Pesquisa, que trata da edição e reedição de materiais como estudos, cadernos temáticos, publicações e documentários sobre música negra, pedagogia e experiências de educação popular. A Difusão e Circulação, para a realização de mostras, concertos e intercâmbios, além da 7ª edição do Festival Paisagem Sonora, no final deste ano. E o Fomento e Apoio Direto a Grupos Culturais, o que inclui apoio a corais comunitários, grupos de percussão, escolas de música populares e mestres da tradição oral.

 

A abertura contou ainda com a presença Marcelo Gentil, presidente institucional do Olodum, de Jorginho Rodrigues, presidente executivo da entidade, da secretária de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), Ângela Guimarães e deCristiane Taquari, representando o secretário de Cultura do Governo da Bahia, Bruno Monteiro. E ainda com as presenças de Antônio Carlos dos Santos Vovô, presidente do Bloco e Ilê Aiyê e seu irmão Vivaldo Benvindo, um dos diretores da agremiação carnavalesca. A UFRB também está com uma parceira com Ilê, reeditando suas Cadernos de Educação em formato digital e com distribuição gratuita aqui no site.

 

Com mais esta iniciativa, o projeto Organizações da Resistência – Música e Educação reafirma o compromisso da UFRB, por meio da Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROEXC), com a valorização da memória afro-brasileira, a democratização do acesso à educação e a promoção da equidade racial.  O projeto conta com o financiamento do Governo Federal, através da Fundação Cultural Palmares do Ministério da Cultura (MinC) e Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação (MEC).

 

 

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